quinta-feira, 25 de outubro de 2007

A estação nas vitrines

O Verão está chegando e tudo muda no dia-a-dia das pessoas que possuem um “astral solar”. Praia, shopping, sol, academia, festas, boates, cerveja gelada, viagens, turistas, amigos e muita alegria. Assim as propagandas refletem a estação mais agitada do Brasil, e na maioria dos casos é a realidade. Em Salvador não podia ser diferente. Ensaios de bandas, preparação para reveillon, churrascos, jogos na praia, e, claro, o carnaval. Ah, o carnaval! Tudo que se faz em um verão inteiro pode se resumir em um dia de carnaval.

Porém, antes disso tudo acontecer, quem dá o ponta pé inicial para o sol se abrir são as lojas de moda. Já em setembro, outubro, ainda na primavera, as vitrines estão todas dedicadas a dezembro. E as pessoas já estão reorganizando o guarda-roupa com as cores e modelos de tendência.

Agora em 2008 as grifes elegeram os vestidos como peças-chave da estação. Já as camisetas, o cumprimento fica mais longo e funciona como uma prática alternativa para desfilar com as pernas à mostra nos dias quentes ou colocar uma calça bem justinha por baixo. Um modelo que tem a cara do verão por ser espojada e à vontade, é o balonê nas saias e também nos shortinhos, porém eles são mais discretos. Já a feminilidade entra em campo através das transparências e decotes que deixam colo e as costas às mostras.

Falando em insinuações, os bíquines não fazem qustão de aumentar o tamanho, e nesse verão eles vêm cheios de laços, detalhe que também está presente nos tops. A cintura da mulher passa a ser mais valorizada ainda e é bem marcada por cintos coloridos e largos e até pelo próprio corte das peças.

Mas a moda não vem no verão só para o mundo feminino. Os homens também se preparam para a “estação da perdição”, como diz a propaganda da cerveja Skol. Eles contam com um look esportivos que levam um toque clássico. Nessa época é permitido com muita naturalidade o uso dos blazers com bermudas de estilo surfista.

Já nós pés, as marcas de sandálias não deixou a desejar. Rosa pink, amarelo canário, verde limão, azul turquesa, roxo, laranja, e todo o arco-íris está presente nos pés de quem já fez as comprinhas. A moda agora é chamar a atenção de cima a baixo. E pra diferenciar, o verniz dá o brilho às sandálias de saltos bem altos.

A 9ª edição do desfile que dá todas as dicas de como estar bem vestida no verão, o Fashion Rio, mostrou que este ano as vitrines terão muito azul, laranja, branco, e manterá o cinza do inverno, aliado ao preto. Ainda no evento, foi reforçada a febre do vestido curto, macaquinho e bermudas. Porém, uma novidade é que as peças este ano são mais folgadas, deixando alguns detalhes do corpo à mostra, por isso que o público observou tantos detalhes das modelos, que não fizeram questão de esconderem as celulites. Segundo os telespectadores, a maioria das meninas encarou a passarela com o corpo em desordem. “Nem os ícones da moda escaparam da assombração dos furinhos no bumbum. Marcelle Bittar, Ana Cláudia Michels, Michele Alves, Juliana Imai e Isabelli Fontana mostraram que a correria da carreira não lhes deixa tempo para malhar”, como revelou mais uma matéria do site Terra.


O verão se aproxima e todos os shoppings estão no corre-corre da estação. A cidade ganha outra cara e a Prefeitura faz adaptações necessárias para proporcionar as melhores “férias” aos soteropolitanos. É uma época de brilho, alegria, e as pessoas querem ter sempre a imagem que a mídia disse que é para ser usada. Todos os meios de comunicação interferem nos guarda-roupas e no comportamento em dezembro, começando desde agora. Propagandas, vitrines e boca a boca são os aliados dos modelitos que se tornam “indispensáveis” nas festinhas e eventos “da perdição”. Já no final da temporada, em março, as lojas aproveitam para lançar promoções, liquidações e darem fim ao estoque de pouco pano.

sexta-feira, 19 de outubro de 2007

Atual realidade camuflada

“A sociedade brasileira é de uma contradição assombrosa”, com essa frase a jornalista Malu Fontes começa seu comentário sobre Televisâo, cinema, ficção e realidade. Ela é mais uma das brasileiras revoltada com as injustiças e falcatruas que vêem acontecendo no Brasil. E ela continua: “Nove entre cada dez brasileiros que se consideram pensantes acham os novelistas globais uns equivocados por reproduzir na televisão um reducionismo tido como estúpido”.


Realmente, o nosso país de lindas praias, pessoas alegres, alto astral e todo verde e amarelo representando amor pela pátria ficou nos livros de histórias que minhas bisavós estudaram. A corrupção já tomou conta das ruas, das prefeituras, das residências, do comércio, das secretarias, e por que não dizer do Senado? É Renan Calheiros não nos surpreendeu, mas os senadores votantes de sua absolvição sim. Aliás, surpreendeu a mim, uma das poucas esperançosas (para não dizer iludida). E esse só foi o 1º!! Falta o 2º, 3º, 4º, 5º e agora o 6º processo contra o então afastado presidente da Casa. E Tião Viana ainda vem dizer em toda a mídia que não deseja o cargo atualmente ocupado. Poupe-me os risos senador, todos que fazem parte desse saco de ração alimentam o mesmo cão. E a televisão está aí para comprovar, ou seria enganar, a todos os telespectadores.

Mais uma vez concordo com Malu: a televisão brasileira é um monumento à mentira e á falsidade, por exibir um Brasil que não se vê na TV. A coisa está tão séria que o filme Tropa de Elite, de José Padilha, não deixou ninguém de boca aberta pelo conteúdo. Pela produção sim, excelente! Excepcional! Um show em todos os aspectos técnicos e produtivos. Mas pensar o filme não foi difícil, bastou Padilha sentar numa esquina do Rio ou São Paulo e ficar anotando tudo que via. Reproduzi-lo deve ter dado um grande trabalho, pois por mais comum que seja essa realidade ainda é difícil encara-la de forma tão crua.


“Está enganado, muito enganado, quem pensa que está informado porque assiste televisão”, como diz Malu. As inverdades são enfeitadas na telinha e os telespectadores viciados continuam não perdendo um capítulo da nova novela das oito que nem bem chegou já está trazendo à tona duas caras de muita gente que é bom ator, ou atriz.

Seria a televisão uma percussora da violência que desencadeia no Brasil? Quem sou eu para dar a certeza da resposta dessa pergunta. Mas, em meu ver, sem dúvidas! Por que uma pessoa assaltaria um banco para comprar o carro mais potente do momento se não fosse a televisão para apresentá-lo como algo que dará “ibope”? E porque pessoas acarretam os cartões de créditos nos shoppings com as roupas mais estranhas e cheias de “trumbilicálios” se não fosse a TV para lançar de 3 em 3 meses o sucesso da estação? E os restaurantes, e as mansões, e as tecnologias, e ... e... ??? E tudo que aparece 24 horas por dia em nossos olhos e ouvidos como forma que nos fazer, nem que seja por osmose, absolver, e acima de tudo acreditar, que aquilo é indispensável à nossa vida.

E daí posso sugerir que comece a violência. E o que fazer? Destruir a televisão? Isso jamais aconteceria. Conviver com todos os acontecimentos atuais? É isso que temos feito. E que vamos continuar fazendo caso um “milagre” não aconteça.

A violência está no mundo, em todos os cantos e não ficaria de fora desse país tão agradável. Se todo mundo, pelo menos uma vez na vida, passa pelos carnavais de Salvador, por que a corrupção ficaria de fora?

Mas minha gota de água, sendo eu um beija-flor, faria quase nada nessa floresta, de qualquer forma, tento jogá-la lá de cima. Apesar de tudo é o país onde nasci, onde maioria das pessoas que estão lendo esse artigo também nasceram e, por tanto, temos que fazer o possível para melhorá-lo.